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Fotos Históricas de Rondônia

Trabalhadores em obras de fundação da ponte em
afluente do Rio Madeira. Cerca de 1909-1910

  As Coleções Fotográficas do Museu Paulista – USP

Solange Ferraz de Lima/Vânia Carneiro de Carvalho


A curadoria de fotografias no Museu Paulista da USP é hoje responsável do Serviço de Documentação Textual e Iconografia, que conta com a dedicação de uma documentalista e duas historiadoras, além dos serviços temporários, porém essenciais, de técnicos e pesquisadores autônomos. A integridade material dos documentos bem como a sua divulgação , por sua vez, garantidas pelo trabalho integrado deste Serviço com o Laboratório de Conservação e Restauração, o Laboratório Fotográfico, o Serviço de Museografia e Comunicação Visual, a Biblioteca, o analista de sistema, entre outros.

O Serviço de Documentação Textual e Iconografia abriga mais de 100 mil documentos, dos quais 30 mil são imagens nos mais diferentes processos. Deste último conjunto destacam-se as fotografia, que hoje chegam a 0 mil unidades. O acervo fotográfico foi o que mais cresceu nos últimos 10 anos, tendo praticamente duplicado. Fruto de doações e compras patrocinadas, este acervo reúne, majoritariamente, imagens de 1860 a 1950. Retratos avulsos e em álbuns, fotográfica de eventos familiares, paisagens urbanas, sobretudo de São Paulo, na forma de cartões postais ou mesmo álbuns comerciais, e repertórios fotográfico que documentam obras de engenharia, como é o caso da coleção Dana Merrill. Colocam à disposição de pesquisadores um leque considerável de tema para serem desenvolvidos, muitos dos quais ainda inéditos.

O investimento na aquisição de retratos do século XIX, por exemplo, contribui para o conhecimento das técnicas fotográficas históricas, dos fotógrafos atuantes no Brasil, além de trazer à luz um impressionante inventário de poses e feições humanas, No caso das paisagens urbanas que foram objeto de forte comercialização, ainda já muito que se explorar no campo das representações sociais, sobretudo no que tange ao papel da fotografia, como objeto plástico, na formação de um discurso visual sobre a cidade.

No caso da documentação de obras de engenharia a arquitetura típica função atribuída no século XIX, destacam-se as fotográfica da S. Paulo Railaway ( Santos- Jundiaí/1867)¹, da construção do Reservatório de água da Cantareira (1893)³, da construção do edifício que abriga o Musei paulista (1890)³ e , recentemente integrada, a coleção de negativos do fotógrafo Dana Merrill. Referente á ferrovia Madeira-Mamoré. Essas coleções permitem vislumbrar não apenas o lugar da técnica no século XIX e as novas formas de interação do homem com a máquina, mas, igualmente importante, os sentidos que a imagem logrou constituir, colocando em pauta quais funções cumpriria a fotografia neste contexto 0 a comparação, por exemplo, das imagens de Militão da S. Paulo Railway com os registros de Dana Merrill da ferrovia Madeira-Mamor´( Rondônia), quase 50 abis naus tarde, demonstra como a fotografia afastou-se do modelo pictoricamente equilibrado, limpo e ordenado, aplicado às representações dos grandes feito tecnológicos para colocar em cena as tensões entre, máquina, floresta e homens de diferentes grupos sociais, étnicos e profissionais.

No entanto, apensar do fascínio imediato que as fotográfica exercem sobre o seu expectador, uma série de procedimentos são necessários para que esses documentos sirvam de gato à produção de conhecimento. Tais procedimentos fazem parte da atividade cotidiana de curadoria em um museu e pressupõem equipe multidisciplinar, infra-estrutura técnica e política científica, de acervos e de difusão cultural.

O tratamento documenta, do qual este pequeno catálogo é um produto parcial longe de se resumir na extração dos dados imediatamente observáveis na imagem. Procura agregar todo tipo de informação que contextualize o document6o antes e depois de sua musealização. Neste sentido, podemos afirmar que a catalogação não tem exatamente um término. A ficha catalográfica funciona como o histórico médio de um paciente de vida longa, durante a sua existência na instituição vão sendo armazenados os dados sobre a trajetória do documento – registradas as restaurações e o acompanhamento do estado de conservação do documento.

O histórico do documento, Istoé, o rastreamento de pistas sobre a formação do conjunto documental, seus usos e funções antes da entrada no museu, reúne informações preciosas e que , na grande maioria das vezes, não se encontram explicitadas no próprio documento, demandando pesquisas de campo, de bibliografia, bem como a coleta de depoimentos. Todas estas atividades, decorrem, em parte , da necessidade que o pesquisador tem de conhecer o seu objeto de estudo, de modo a encaminhar, de maneira mais segura, suas hipóteses benéficas para ambas, já que é o próprio interesse pela pesquisa que permite que novas informações integrem a ficha catalográfica. Esta é a dinâmica desejável, nada fácil de se cumprir.

Hoje podemos colocar à disposição do público a coleção Daa Merrill documentada sob bários aspectos – a história de usa trajetória, da Amazônia até as mãos do josnalista e sertanista Manoel Rodrigues Ferreira; o registro dos diversos produtos culturais dos quais foi objeto ou participou indiretamente (exposições, livros, catálogos, sites); a identificação dos conteúdos das imagens ( locais, parte das personagem fotografadas, denominações técnicas oriundas da atividade ferroviária); e os dados técnicos ( tipo de filme utilizado, por exemplo). Longe de se esgotar, esse é um trabalho que vem se juntar a outras iniciativas passadas. Pouco se sabe, ainda sobre a trajetória do fotógrafo Dana Merrill, nem se tem o domínio completo dos registros fotográficos que sobreviveram deste mesmo período. Com a divulgação da coleção através da presente exposição e do banco de imagens do Museu Paulista, temos a certeza de que novas histórias se unirão a esta.

Solange Ferras de Lima e Vânia Carneiro de Carvalho são historiadoras e curadoras do Museu Paulista da USP.

¹ Autoria de Militão Augusto de Azevedo
²Autoria de P. dounet.
³Autoria de Guilherme Gaensly


Cemitério da Candelária, localizado atrás do Hospital. Cerca de 1909-1910


Aspecto interno da lavanderia a vapor em Porto Velho (Rondônia). Cerca de 1909-1910


Trabalhador Hindu. Cerca de 1909-1910


Barbadianos e norte Americano na lavanderia a vapor,
em Porto Velho (Rondônia). Cerca de 1909-1910.

Fotos do acervo do livro produzido pelo : BNDES

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Porto Velho 5/1/2009